Você sabe como era a contracepção nos anos 80?


As pílulas contraceptivas foram comercializadas pela primeira vez nos anos 60, porém suas altas doses de estrogênio eram responsáveis por diversos efeitos colaterais e até mesmo um risco alto de trombose. Nos anos 80, as pílulas estavam ficando mais seguras. As doses de estrogênio foram reduzidas e os progestagênios foram se modernizando. Mesmo assim, os efeitos colaterais eram frequentes. Nessa época a preocupação sobre a combinação de pílula, cigarro e eventos cardiovasculares cresceu. Anéis vaginais e adesivos não eram uma realidade, então a contracepção hormonal era em sua maioria por comprimidos ou injetáveis, já que os SIUs hormonais eram pouco disponíveis e precisavam ser trocados todos os anos.
Os DIUs inertes existiam, mas eram menos eficazes, pois dependiam de uma reação inflamatória local provocada pela presença do corpo estranho, com formas diferentes, como o formato de um S para aumentar a área de contato. Os DIUs de cobre em diferentes formatos, já eram realidade, porém o DIU Dalkon Shield, retirado do mercado em 1974, ainda fazia vítimas. Seu fio multifilamentar favorecia a proliferação de bactérias e foi responsável por infecções uterinas, infertilidade e até mortes. Esse fato deixou marcas na história do DIU que até hoje repercutem. Muitas pacientes ainda tem medo do DIU devido histórias antigas de infecções graves e infertilidade. Atualmente com o fio unifilamentar e exames mais sofisticados o risco caiu bastante. Além disso, DIUs eram oferecidos geralmente para mulheres mais velhas, casadas e com filhos. Hoje sabemos que DIUs são ótimas opções para quem nunca engravidou e até adolescentes.
As camisinhas já eram de látex e existiam diversos modelos, tamanhos e texturas, porém a camisinha interna (feminina) só chegaria nos anos 90. Com a epidemia de HIV/AIDS, a procura pela camisinha aumentou, junto com os esforços governamentais em campanhas pelo sexo seguro. As vendas aumentaram, por outro lado, o uso era cercado por vergonha, moralismo e estigma, frequentemente marcado pela associação à promiscuidade e homossexualidade.
A taxa de fecundidade começava a cair. A popularização dos anticoncepcionais nos anos 80, a forte disseminação da laqueadura e mudanças na vida social, com a urbanização da população provocaram uma queda abrupta da fecundidade. No início dos anos 80 a média era de 4,35 filhos por mulher e chegou a 2,89 filhos por mulher em 1991.
Métodos hormonais de longa duração estavam sendo estudados, mas ainda não estavam disponíveis comercialmente. O Mirena foi lançado na Finlândia em 1990, mas só chegou ao Brasil em 2000. O Implanon era um sonho distante.
A contracepção evoluiu muito ao longo dos últimos 40 anos. Hoje temos métodos mais seguros, mais eficazes e com menos efeitos colaterais. O acesso aumentou, com dispositivos de longa duração disponíveis na rede pública de saúde brasileira. Falar sobre contracepção é um tabu cada vez menor. O que será que os próximos anos nos trarão? Métodos focados no corpo masculino estão sendo estudados, compartilhando a responsabilidade sobre o planejamento familiar para além da camisinha e vasectomia.
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