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Corrimento vaginal que não melhora: causas, diagnóstico e tratamento

  • Foto do escritor: Ana Paula Borges Santos
    Ana Paula Borges Santos
  • 29 de jul.
  • 3 min de leitura

Seu corrimento não melhora mesmo após usar pomadas ou antibióticos? Entenda as principais causas, quando procurar uma ginecologista e porque o diagnóstico correto faz toda a diferença.


Você usou uma pomada, tomou um comprimido ou até fez mais de um tratamento, mas o corrimento continua igual ou volta poucos dias depois?

Essa é uma das queixas mais frequentes no consultório ginecológico.

Na maioria das vezes, o problema não é que o tratamento "não funciona", mas sim que o diagnóstico inicial pode não ter sido o correto. Como diferentes doenças podem causar sintomas muito parecidos, tratar apenas com base na aparência do corrimento ou nos sintomas aumenta a chance de erro.

Além disso, existem situações em que mais de uma infecção está presente ao mesmo tempo ou em que o corrimento nem sequer é causado por uma infecção.

Neste artigo, você vai entender as principais causas do corrimento vaginal persistente, como é feito o diagnóstico e quais são as melhores formas de tratamento.


O que pode causar um corrimento vaginal que não melhora?


Embora muitas pessoas associem qualquer corrimento à candidíase, existem diversas causas possíveis.


As mais comuns são:


Candidíase

A candidíase costuma causar coceira intensa, ardor e um corrimento mais espesso, semelhante a leite coalhado.

Entretanto, nem todo corrimento branco é candidíase. Quando o diagnóstico é feito apenas pelos sintomas, é comum ocorrer tratamento inadequado.

Além disso, algumas mulheres apresentam candidíase de repetição, causada por fatores como diabetes, alterações imunológicas, uso frequente de antibióticos ou outras condições que favorecem o crescimento do fungo.


Vaginose bacteriana

É uma das causas mais frequentes de corrimento persistente.

Geralmente provoca:

  • odor forte, principalmente após relações sexuais;

  • corrimento acinzentado;

  • pouco ou nenhum desconforto.

Quando não é corretamente identificada, pode permanecer por semanas ou voltar logo após o tratamento.

corrimento vaginal esverdeado

Tricomoníase

É uma infecção sexualmente transmissível causada por um protozoário.

Pode causar:

  • corrimento amarelo ou esverdeado;

  • odor desagradável;

  • ardor;

  • desconforto nas relações.

Nesses casos, é fundamental que os parceiros também sejam avaliados e tratados quando indicado.


Infecções mistas

Nem sempre existe apenas um problema.

Algumas pacientes apresentam, por exemplo, candidíase e vaginose bacteriana ao mesmo tempo.

Se apenas uma delas for tratada, os sintomas podem persistir.


Corrimento que não é causado por infecção

Nem todo corrimento é sinal de infecção.

Também podem ocorrer sintomas devido a:

  • alterações hormonais;

  • alergias ou irritação por sabonetes e produtos íntimos;

  • vaginite inflamatória;

  • atrofia vaginal, principalmente após a menopausa;

  • presença de corpo estranho, como absorventes internos esquecidos.

Por isso, o tratamento depende da causa.


mulher preocupada

Por que o corrimento continua mesmo após o tratamento?

Existem várias possibilidades.


O diagnóstico inicial estava incorreto

Esse é um dos motivos mais comuns.

Como candidíase, vaginose e tricomoníase podem ter sintomas semelhantes, tratar "no escuro" pode fazer com que o problema permaneça.


O microrganismo é resistente ao medicamento

Em alguns casos, principalmente em candidíase causada por espécies menos comuns de Candida, o medicamento habitual pode não ser suficiente.


Houve reinfecção

Em algumas situações, principalmente nas ISTs, pode ocorrer reinfecção se o parceiro também precisar de tratamento.


Existe uma doença associada

Diabetes descompensado, alterações hormonais, imunossupressão e outras condições podem favorecer recorrências.


Como descobrir a verdadeira causa do corrimento?

A consulta ginecológica continua sendo a etapa mais importante.

Durante a avaliação, consideramos:

  • sintomas;

  • características do corrimento;

  • exame ginecológico;

  • histórico clínico.

Quando necessário, exames complementares ajudam a confirmar o diagnóstico.

Um dos métodos mais úteis é a microscopia vaginal, realizada durante a própria consulta.

Imagem de lâmina mostrando vaginose bacteriana com características de Mobiluncus spp.

Com ela, é possível observar diretamente células, fungos, bactérias e outras alterações da microbiota vaginal, permitindo um diagnóstico muito mais preciso e, muitas vezes, imediato.

Isso reduz tratamentos desnecessários e aumenta a chance de resolver o problema logo no primeiro atendimento.


Como é feito o tratamento?

O tratamento depende completamente da causa encontrada.

Pode incluir:

  • antifúngicos;

  • antibióticos;

  • medicamentos antiparasitários;

  • reposição hormonal em situações específicas;

  • mudanças em hábitos que favorecem recorrências.

Por isso, repetir a mesma pomada diversas vezes sem saber o diagnóstico costuma apenas atrasar a resolução do problema.


Conclusão

Um corrimento vaginal que não melhora nem sempre significa uma infecção resistente. Na maioria das vezes, ele indica que é preciso investigar melhor a causa.

O diagnóstico correto é a etapa mais importante do tratamento. Métodos como a microscopia vaginal permitem identificar rapidamente diferentes alterações da microbiota e direcionar a terapia de forma individualizada, evitando o uso desnecessário de medicamentos.

Se você apresenta corrimento persistente ou recorrente, marque sua consulta para uma avaliação completa.


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